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ALIADO DE ZEZINHO E ADVERSÁRIO DE FÁBIO FATURA MAIS DE R$ 10 MILHÕES EM CONTRATOS COM O GOVERNO E GERA DESCONFORTO NA BASE

  • Foto do escritor: Redação Macambira no Ar
    Redação Macambira no Ar
  • há 11 minutos
  • 4 min de leitura

Empresário que declarou apoio a Valmir de Francisquinho aparece como contratado em duas obras da Secretaria de Estado da Educação; situação movimenta os bastidores políticos do Estado.



Uma situação envolvendo política, contratos públicos e os bastidores da sucessão estadual começa a chamar atenção dentro da própria base governista em Sergipe.


O empresário César, que declarou publicamente apoio à pré-candidatura de Valmir de Francisquinho, principal adversário político do governador Fábio Mitidieri, continua mantendo contratos milionários com o Governo de Sergipe.


Documentos publicados no Diário Oficial mostram pelo menos dois contratos firmados pela Secretaria de Estado da Educação (SEED) com sua empresa, que, somados, ultrapassam R$ 10 milhões.


O primeiro contrato é o Contrato nº 68/2026, decorrente do Processo nº 56.356/2025 – Concorrência Eletrônica nº 02/2026. O objeto é a reforma e ampliação do Centro de Excelência de Educação em Tempo Integral Professora Maria Berenice Barreto Alves, com construção de quadra de esportes padrão SEED, no município de Capela.


O valor contratado é de R$ 5.988.866,89, com prazo de vigência de 780 dias corridos.


O segundo documento é o Contrato nº 70/2026, decorrente do Processo nº 53.066/2025 – Concorrência Eletrônica nº 42/2025. O objeto é a construção de uma creche-escola do programa de apoio aos municípios para expansão da educação infantil (AMEEI) – Tipo 2, no município de Umbaúba.


O valor global informado no extrato é de R$ 4.116.590,70, com vigência de 660 dias corridos.


Somados, os dois contratos representam R$ 10.105.457,59.


É importante destacar que os documentos apresentados são extratos oficiais de contratos e, até o momento, não há, nas informações analisadas, indicação de irregularidade nos processos licitatórios. A contratação de uma empresa por um governo, por si só, não impede que seu proprietário manifeste preferência política ou apoio eleitoral.


Mas é justamente essa combinação entre política e negócios públicos que começa a provocar questionamentos nos bastidores.


César não teria escondido sua posição política. Pelo contrário. Uma frase atribuída ao empresário durante as articulações políticas ganhou força entre aliados de diferentes grupos:


“Valmir só perde se for no tapetão.”


A declaração passou a circular com força no meio político e, segundo relatos de bastidores, teria encontrado eco inclusive entre lideranças do agrupamento político ligado a Valmir.


A mesma expressão também estaria sendo reproduzida por lideranças políticas, inclusive pela prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, em manifestações relacionadas ao cenário eleitoral — embora a utilização da frase por cada liderança deva ser considerada dentro do contexto específico em que ocorreu.


O episódio chama atenção porque, enquanto o empresário manifesta uma posição política claramente alinhada a Valmir de Francisquinho, sua empresa permanece participando e vencendo processos para executar obras de grande valor contratual junto ao Governo do Estado.


É justamente aí que começa a surgir uma pergunta incômoda entre integrantes da própria base governista:


Como um empresário que publicamente se posiciona contra o projeto político do governador continua sendo um dos fornecedores responsáveis por obras milionárias do Estado?


A pergunta, por si só, não significa que exista qualquer irregularidade.


Também não há, nas informações apresentadas, elemento que permita afirmar que o posicionamento político do empresário tenha interferido nas licitações.


O que existe é uma situação politicamente curiosa — e que, naturalmente, alimenta conversas entre aqueles que estão envolvidos na construção da candidatura governista para 2026.


Outro personagem que acaba entrando nessa discussão é o vice-governador e secretário de Estado da Educação, Zezinho Sobral.


Interlocutores ouvidos nos bastidores apontam que Zezinho teria proximidade política com César e que a relação institucional entre a empresa e a Secretaria de Educação vem sendo observada com atenção por setores da base.


Até aqui, porém, não há informação pública que indique interferência de Zezinho Sobral nos processos licitatórios ou qualquer irregularidade na contratação da empresa.


A questão, portanto, é muito mais política do que jurídica.


E, em política, às vezes o problema não está necessariamente no contrato, mas na leitura que os aliados fazem dele.


O contrato de quase R$ 6 milhões destinado ao Centro de Excelência de Capela adiciona outro ingrediente à história.


Capela é um município onde o grupo político ligado ao governador Fábio Mitidieri possui interesses e aliados importantes.


Por isso, a presença de um empresário identificado politicamente com um adversário do governador à frente de uma obra milionária do Estado naturalmente desperta comentários.


Nos corredores políticos, a impressão é de que nem todos os integrantes do grupo governista estariam enxergando essa situação com a mesma tranquilidade.


Não significa que exista rompimento, crise ou qualquer orientação oficial contra a empresa. Mas o ambiente político, especialmente em ano eleitoral, transforma qualquer movimentação em motivo para especulação.


E a pergunta que fica ecoando é simples:


Será que todos os aliados de Fábio Mitidieri em Capela estão realmente confortáveis com esse cenário?


A resposta, pelo menos por enquanto, permanece nos bastidores.


A aproximação com Sukita também incomoda?


Outro ponto citado por interlocutores políticos diz respeito à movimentação de Zezinho Sobral para aproximar do governador o ex-prefeito de Capela, Manoel Sukita, figura conhecida da política sergipana e historicamente inserida em disputas locais.


Segundo relatos de bastidores, essa tentativa de aproximação teria provocado desconforto entre setores do próprio agrupamento governista, especialmente aqueles que possuem divergências políticas com Sukita.


O episódio, assim como os contratos com o empresário César, não configura, por si só, qualquer irregularidade.


Mas revela uma característica peculiar do atual cenário político: as alianças estão sendo redesenhadas enquanto antigas disputas continuam vivas nos municípios.


No papel, os documentos mostram contratos públicos, processos licitatórios e obras de interesse da população.


Na política, porém, a leitura é outra.


De um lado, o Governo do Estado mantém investimentos e contrata empresas por meio dos procedimentos administrativos divulgados oficialmente.


Do outro, o proprietário de uma das empresas contratadas manifesta apoio público a Valmir de Francisquinho, adversário do governador, e ainda dispara uma frase que ganhou repercussão entre lideranças políticas:


“Valmir só perde se for no tapetão.”


A situação pode até ser perfeitamente compatível do ponto de vista administrativo.


Mas, politicamente, é difícil imaginar que passe despercebida.


Principalmente em Capela, onde cada movimento começa a ser observado com lupa e onde os grupos que caminham com Fábio Mitidieri já começam a medir forças.


No fim das contas, talvez a questão mais importante não seja apenas quem ganhou a licitação.


Mas quem está politicamente confortável com quem continua ganhando contratos enquanto declara apoio ao adversário.


E, em ano eleitoral, esse tipo de pergunta costuma dizer muito mais sobre os bastidores do que qualquer discurso oficial.

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